Muitas pessoas são traumatizadas com o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Mas não Jaqueline Soares Lopes, 22, que fez de seu projeto de moda para o Centro Universitário Estácio de Santa Catarina uma verdadeira Razão para Acreditar.

 

Ela criou uma loja gratuita para os moradores de rua no Centro de Florianópolis com o propósito de provar que roupas possuem sim o poder de transformar vidas através de autoestima e confiança, principalmente de pessoas que vivem em situação vulnerável.

 

A jovem chegou a morar na rua. Com apenas dois dias de vida, sua irmã gêmea foi entregue para para uma conhecida, mas Jaqueline não.

 

Um dia, os pais adotivos de sua irmã a encontraram pedindo esmola na rua, foi quando denunciaram a situação e ganharam também a guarda da menina, que na época tinha 1 ano e meio.

 

“Esse trabalho fez com que eu reencontrasse a minha história. Se meus pais não tivessem me adotado, eu cresceria na rua”, disse Jaqueline.

 

E como acontece com ações inspiradoras, contagiou todos à sua volta e no final, mais de 30 alunos de diferentes cursos resolveram ajudar com o projeto e assim arrecadaram 2.691 peças de roupas e sapatos.

 

Alguns lavaram e costuraram, outros criaram araras a partir de materiais disponíveis por aí, alguns listaram, outros atenderam durante 6 horas. No final, Marlene ainda oferecia sanduíches e sucos.

 

Os moradores de rua ganharam uma nota de brincadeira de R$ 50,00, e com ela podiam escolher peças que mais se identificassem. Cerca de 300 pessoas foram beneficiadas com a ideia, estima-se é que isso represente 60% da população que vive nas ruas da capital.

 

“Eu não queria transformá-los em depósitos de roupas velhas. A ideia foi criar uma experiência de compra. Cada pessoa selecionou peças de acordo com sua identidade e necessidade, não levaram apenas porque era de graça”, disse Jaqueline.

 

A mãe Rita de Cássia Souza, 37 anos, foi uma das moradoras e levou roupas para os cinco filhos. Há 6 anos, eles moram nas ruas da cidade depois de se livrar de uma casamento com abuso físico. Vive de vender balas e esta foi a primeira vez que comprou roupas para as crianças.

 

“Eu me acabei, menina. Peguei roupas para o frio, para o calor, um monte de blusinhas. Tem até pijaminhas e pantufas, acredita?”, disse feliz da vida.

 

Quem ajudou na divulgação foi o CentroPop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), que avisou sobre o brechó.

 

“A moda pode ser usada com sustentabilidade. Você abre mão do que não deseja e beneficia alguém. Essas pessoas são tão humildes e tão gratas. Faz tempo que não vejo tanta felicidade. Para gente é banal consumir. Para eles é inclusão”, disse Jaqueline.

 

Mas a maior nota 10 que Jaqueline ganhou mesmo foi ver coisas as mulheres desfilando suas novas roupas, dançando de felicidade.

 

A coordenadora do curso, Vanessa Koppe, também não disfarçou o orgulho. “Dar vida a um projeto de conclusão de curso que ultrapassa os muros da faculdade é gratificante”, finaliza.

 

 

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